Ontem li dois posts de amigas da blogosfera sobre como elas amam os animais e repugnam os maus tratos também... Concordo com elas em todos os sentidos.
Aproveitei e comentei com elas o que vou contar pra vocês agora: eu tenho 2 gatinhos, ou melhor 2 filhos, ou melhor ainda 2 amigos, ah tudo isso junto!. O primeiro é o Valentim e ele está comigo a 11 anos, desde que vim morar em Floripa. O encontrei em uma feira de animais onde fui somente pra passar o tempo, sem intenção nenhuma de adquirir nem um peixe beta, quanto mais um gato. A outra (sim, é uma menininha!) é a Mimi que chegou aqui em casa faz um ano da maneira mais inesperada possível, porque foi uma doação de um casal conhecido.
Então me permitam escrever e dividir com vocês um pouco desse meu amor por estes dois, que só quem tem ou teve um bichinho em casa é capaz de entender exatamen te o que é isso.
Quando cheguei até aquela tal feira de animais que citei antes, fui só pra passear, espairecer a cabeça depois de um dia de trabalho. Eu estava morando em Floripa fazia apenas 6 meses e sentia muita falta de casa, de Belém, dos amigos... Bom dizer que SEMPRE tive gatos. Em casa um sumia, mamãe já arrumava outro; morria, lá ia mamãe ou vovó ver se não tinha algúm gato "sobrando" pela vizinhança, e claro, sempre tinha... As vezes vinham filhotes e logo eu virava a mãe deles, e depois de um tempo avó. Teve uma vez que fui tataravó!
Mas voltando à feira de animais. Eu andando por lá e vendo todo tipo de gato: pelado, peludo, zolhudo, magro, gordo, despenteado, branco, preto, cinza, amarelo. Pra mim, um paraíso! E eis que vejo, a certa altura, aquela bolota de pelos dentro de uma gaiola, dormindo... Sim, ele dormia o sono dos anjos. Apesar de todo o alvoroço da feira ele nem tchum. Fiquei observando, esperando pra ver se ele acordava. Já não era mais um filhote, tinha 8 meses. Como ele não abria acordava, perguntei pra dona do stand se eu poderia pegá-lo no colo e ela disse que sim. Gente, foi um dos momentos mais inesquecíveis da minha vida (me emociono só de lembrar): ela me entregou nos braços aquela coisa fofa, ainda de olhos fechados, e que eu segurei como se fosse um bbzinho (assim naquela posição de amamentar, sabe?) com as patinhas pra cima. Foi então que ele, beeeem preguiçosamente, abril os olhos e me olhou.... Perai, não consigo lembrar disso sem chorar...

Ele abriu os olhos e eles eram (são) de um azul da cor do céu e o olhar dele foi como se ele já fosse meu desde sempre, como se ele quisesse apenas ter certeza que era eu. E voltou a dormir.
Naquela hora tive até medo de perguntar o preço, mas desde quando amor tem preço? Eu já estava completamente apaixonada! Não tinha mais remédio. Não quis nem saber e mesmo entendendo que eu não teria condições para isso, disse pra moça: "Eu vou levar pra casa". Deixei lá 4 cheques (borrachuuuudos) que depois eu teria que pedir socorro à mamãe pra cobrir, mas ela iria (deveria!) entender, eu tinha certeza... E ele foi comigo, dentro de uma gaiolinha que a moça me deu de presente e nunca mais nos separamos.
Sempre me disseram que "gato é da casa, não do dono". Olha, pode ter casos assim, mas minha experiência foi diferente sempre. Desde que moro em Floripa já mudei de casa 5 vezes nestes 11 anos e o Valentim sempre encarou tudo numa boa. Chega, cheira tudo, faz um xixi ali, outro acolá (mas não no box!) e pronto. A casa é dele também. Tudo na maior tranquilidade. É como se ele me dissesse: "se eu estou contigo, tá tudo bem."
Desde que a Mimi chegou, tem sido muito difícil pra ele. Ela já apanhou muito e temos que deixar os dois em ambientes diferentes da casa. Cada um no seu quadrado. Mas eu sofro por ele. Não queria que ele sentisse como se não fosse mais amado... Mas como explicar isso? Nem quando a Mimi entrou no cio ele quiz conversa com ela... Ei!!! Eu tenho certeza que ele é espada, tá?!
Amasiado, que chegou depois entre nós, também é apaixonado por ele. Ele o "adotou" como filho dele e isso foi definitivo na nossa relação. Parece doideira, né? Mas não sei se teria ido pra frente se ele não gostasse de gatos, até porque somos um "pacote": leve os dois, ou nenhum.
Mas pra finalizar (ai, nem falei muito da Mimizinha...Mas vou colocar fotos!), ter um animal de estimação em casa é sinônimo de amor verdadeiro, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe. Se não for assim, com responsabilidade, tu estás amando sem amor. Jurei cuidar deles pra sempre. Mesmo depois que o Valentim (que é o mais vivido - velho não!) não tiver mais nenhum dentinho pra doer (um já foi) e eu tenha que amassar a ração no garfo e dar na boca com colher, eu o farei. Com todo o meu amor.
PS: a frase título do post é do poeta Thiago de Melo e minha tia tinha na parede da casa dela um poster enorme, com uma orquidea ampliada e essa frase... Nunca esqueci!
PS2: Conseguem saber qual é o Valentim e qual é a Mimi?